Lembro de, em uma entrevista com José Arbex Jr., na sede da Caros Amigos, por volta de 2001, ter ouvido ele mencionar que alguns jornalistas desejavam ser mais realistas que o rei.
Hoje, no mestrado, ouvi a mesma frase, em uma palestra de um ex-professor meu.
Parei, há tempos, de ler a Caros Amigos (Velhos e Antigos?), mas, em palestra de Reinaldo Azevedo em Campinas, ouvi ele elogiar - e muito - José Arbex Jr, diante de uma platéia atônita. Direitistas que compram o pacote ideológico liberal completo...
Sacumé. O caso "ficha da Dilma" mostra, de novo, o quanto não se pode fugir do óbvio. Reinaldo pode falar o que quiser no blog que tem na Veja, mas até ele sabe (talvez ele mais do que ninguém) como é que a engrenagem funciona.
(mas que não se negue a inteligência, que o blog não se fez por escritos absurdos, até pelo contrário)
Segunda-feira, 4 de Maio de 2009
Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009
uma é muito
1962, entrevista coletiva com o presidente da França, Charles De Gaulle:
Pergunta:
- O que o senhor acha a respeito da unificação alemã?
De Gaulle:
- Gosto tanto da Alemanha que prefiro duas dela.
Pergunta:
- O que o senhor acha a respeito da unificação alemã?
De Gaulle:
- Gosto tanto da Alemanha que prefiro duas dela.
Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009
ditabranda?
É justo considerar a ditadura brasileira como branda?
A Folha de S. Paulo considera justo. Em editorial publicado na terça, a respeito da vitória de Chávez no plebiscito venezuelano, lê-se o seguinte trecho:
(...) se as chamadas "ditabrandas" -caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente. (...)
Suspensão do habeas corpus, direitos políticos cassados, exílios, torturas, mortes de jornalistas, ex-presidentes (JK e Jango morreram durante o período) e operários, Operação Condor, não assinatura dos pactos de direitos humanos - tudo isso pode ser visto como brando?
O que seria, então, para a Folha de S. Paulo, algo "duro"? Porque eu desconheço outra época da história brasileira em que houve tantas violações de direitos humanos.
O problema de uma escolha lexical errônea como essa não é, certamente, apenas vocabular. Por trás de uma palavrinha subjaz uma idéia, uma afirmação inverossímil e temerosa. A Folha de S. Paulo poderia ter um pouco mais de responsabilidade no que afirma. Embora àqueles acostumados ao debate político a expressão não vá causar nenhuma mudança de concepções já firmadas, pode induzir os poucos afeitos ao conhecimento histórico uma visão deturpada da realidade.
---
Quem conhece com exatidão o que eu penso sabe que estou longe repudiar algumas ações governamentais do período. Gosto das reformas econômicas do governo Castello, que contribuíram imensamente para criar um mercado financeiro no país e que corrigiram problemas que já se apresentavam como crônicos, como a inflação, e da política externa de Geisel, com o reatamento com a China e a aproximação com os europeus e com os japoneses. Talvez por isso mesmo eu veja tantos problemas na expressão "ditabranda". Mesmo Castello e Geisel cometeram os seus excessos, como as cassações políticas efetuadas pelo primeiro e o Pacote de Abril, pelo segundo.
A Folha de S. Paulo considera justo. Em editorial publicado na terça, a respeito da vitória de Chávez no plebiscito venezuelano, lê-se o seguinte trecho:
(...) se as chamadas "ditabrandas" -caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente. (...)
Suspensão do habeas corpus, direitos políticos cassados, exílios, torturas, mortes de jornalistas, ex-presidentes (JK e Jango morreram durante o período) e operários, Operação Condor, não assinatura dos pactos de direitos humanos - tudo isso pode ser visto como brando?
O que seria, então, para a Folha de S. Paulo, algo "duro"? Porque eu desconheço outra época da história brasileira em que houve tantas violações de direitos humanos.
O problema de uma escolha lexical errônea como essa não é, certamente, apenas vocabular. Por trás de uma palavrinha subjaz uma idéia, uma afirmação inverossímil e temerosa. A Folha de S. Paulo poderia ter um pouco mais de responsabilidade no que afirma. Embora àqueles acostumados ao debate político a expressão não vá causar nenhuma mudança de concepções já firmadas, pode induzir os poucos afeitos ao conhecimento histórico uma visão deturpada da realidade.
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Quem conhece com exatidão o que eu penso sabe que estou longe repudiar algumas ações governamentais do período. Gosto das reformas econômicas do governo Castello, que contribuíram imensamente para criar um mercado financeiro no país e que corrigiram problemas que já se apresentavam como crônicos, como a inflação, e da política externa de Geisel, com o reatamento com a China e a aproximação com os europeus e com os japoneses. Talvez por isso mesmo eu veja tantos problemas na expressão "ditabranda". Mesmo Castello e Geisel cometeram os seus excessos, como as cassações políticas efetuadas pelo primeiro e o Pacote de Abril, pelo segundo.
no line on the horizon
é muito bom ver que aquela banda, aquela do início da década de 90, ainda existe. nestas horas eu até esqueço o xaropismo politicamente correto do bono.
a imprensa gringa - inglesa e americana - está batendo palmas (independent, guardian, daily telegraph, rolling stone, pelo que li. mas dizem que os jornais irlandeses também gostaram tremendamente).
a imprensa gringa - inglesa e americana - está batendo palmas (independent, guardian, daily telegraph, rolling stone, pelo que li. mas dizem que os jornais irlandeses também gostaram tremendamente).
Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009
Sábado, 10 de Janeiro de 2009
Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009
doha? que doha?
Olha a equipe do Obama em relação a livre comércio, de acordo com Jagdish Bhagwati, indiano professor de Columbia e autor desse texto no Financial Times de hoje.
Detalhe, Bhagwati era uma das poucas vozes que achava que Obama não seria contra acordos multilaterais. Mudou de idéia. Prevê que os americanos fechem acordos de comércio sim, mas bilaterais e com nações mais fracas. Não com o Brasil, nem com a Índia.
Alas, his cabinet appointments include Mrs Clinton, whose trade scepticism is badly muddled at best, as secretary of state, and Hilda Solis, who reflects the anti-trade sentiments of the union federation, AFL-CIO, as labour secretary. His advisers include Robert Rubin, whose credibility on policy issues is undermined by Citigroup’s receipt of large bail-out funds, and Larry Summers, the brilliant former Treasury secretary whose recent FT columns on trade and wages suggest prudence in the current political environment. The US trade representative position was offered to Congressman Xavier Becerra, a trade sceptic at best, and has now gone to Mayor Ron Kirk with credentials only as a supporter of the North American Free Trade Agreement, hardly suggesting a forceful presence in support of the open, multilateral trading regime.
Detalhe, Bhagwati era uma das poucas vozes que achava que Obama não seria contra acordos multilaterais. Mudou de idéia. Prevê que os americanos fechem acordos de comércio sim, mas bilaterais e com nações mais fracas. Não com o Brasil, nem com a Índia.
Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009
Outra para a Bizz
O texto abaixo foi feito para a seção "Tesouros Perdidos". Trata do álbum homônimo de Jobriath, clássico esquecido.
Em 1972, Bruce Campbell se prostituía no subúrbio de Los Angeles para sustentar seu alcoolismo. No ano seguinte, sua foto estava em um gigantesco outdoor colocado na Times Square e em mais de 250 ônibus municipais que percorriam Nova York. Acompanhado de John Paul Jones e Peter Frampton, Campbell, sob a alcunha Jobriath, entrara no estúdio para gravar seu primeiro álbum. Fora contratado pela Elektra, que já dera ao mundo o Doors e o Stooges. Era a grande sensação prometida para o verão americano.
O marketing em torno de seu nome era tão grande quanto o ego de seu descobridor e empresário, Jerry Brandt. Para ele, só Elvis e os Beatles tinham tido o mesmo impacto que Jobriath causaria. Anúncios de página inteira foram publicados no New York Times e na Vogue. Cogitou-se a abertura da turnê na Opera House de Paris. E, inspirados em Ziggy Stardust, personagem de David Bowie, Brandt e Jobriath chegaram a anunciar que haviam reservado lugares no possível primeiro vôo comercial para a Lua.
Lançado, “Jobriath” não tinha como cumprir as enormes expectativas suscitadas. As vendas abaixo do esperado tornaram o projeto um fracasso evidente.
Uma pena, porque o disco beirava a perfeição. Misturava o Bowie de “Hunky Dory” com os primeiros discos de Elton John, adicionava guitarras, ia do glam ao hard rock de modo fluente e flertava com orquestrações sem ser pedante. Faixas como “Take Me I’m Yours” e “Be Still” evidenciavam sua veia hitmaker, enquanto outras como “Rock of Ages” pareciam ter saído de alguma sessão de gravação de “Sticky Fingers”, dos Stones.
Antes de desaparecer do show biz, Jobriath gravou mais um disco, “Creatures of The Street”, lançado em 1974, não sem antes acertar uma torta na cara de Brandt, em uma festa promovida pela gravadora. Ousado e criativo, poderia ter sido bem mais do que um nome esquecido e muito pouco comentado. Sem perceber as engrenagens do pop, entretanto, ele e a sua viagem para a Lua foram para o espaço.
Morrissey
É um dos grandes fãs de Jobriath. Em uma apresentação recente, na Irlanda, vestia uma camiseta com uma foto do americano. Quando tentou contratá-lo para abrir seus shows, no começo dos anos 90, descobriu que ele já havia morrido, em 1983.
Eddie Kramer
Famoso por ter trabalhado com Jimi Hendrix e Led Zeppelin, Kramer produziu o álbum e tem boas recordações das gravações. “Ele queria orquestrações, mas não tinha a menor idéia de como fazê-las. Aprendeu lendo um livro - em uma semana, voltou ao estúdio com algumas de excelente qualidade”.
Glam Rock
Britânico por excelência, o glam rock nunca fez muito sucesso nos Estados Unidos, mesmo no caso do New York Dolls. Gente como Marc Bolan e outros andróginos foram bem mais escutados na Inglaterra, menos conservadora. Jobriath, gay assumido, não foge à regra.
Em 1972, Bruce Campbell se prostituía no subúrbio de Los Angeles para sustentar seu alcoolismo. No ano seguinte, sua foto estava em um gigantesco outdoor colocado na Times Square e em mais de 250 ônibus municipais que percorriam Nova York. Acompanhado de John Paul Jones e Peter Frampton, Campbell, sob a alcunha Jobriath, entrara no estúdio para gravar seu primeiro álbum. Fora contratado pela Elektra, que já dera ao mundo o Doors e o Stooges. Era a grande sensação prometida para o verão americano.
O marketing em torno de seu nome era tão grande quanto o ego de seu descobridor e empresário, Jerry Brandt. Para ele, só Elvis e os Beatles tinham tido o mesmo impacto que Jobriath causaria. Anúncios de página inteira foram publicados no New York Times e na Vogue. Cogitou-se a abertura da turnê na Opera House de Paris. E, inspirados em Ziggy Stardust, personagem de David Bowie, Brandt e Jobriath chegaram a anunciar que haviam reservado lugares no possível primeiro vôo comercial para a Lua.
Lançado, “Jobriath” não tinha como cumprir as enormes expectativas suscitadas. As vendas abaixo do esperado tornaram o projeto um fracasso evidente.
Uma pena, porque o disco beirava a perfeição. Misturava o Bowie de “Hunky Dory” com os primeiros discos de Elton John, adicionava guitarras, ia do glam ao hard rock de modo fluente e flertava com orquestrações sem ser pedante. Faixas como “Take Me I’m Yours” e “Be Still” evidenciavam sua veia hitmaker, enquanto outras como “Rock of Ages” pareciam ter saído de alguma sessão de gravação de “Sticky Fingers”, dos Stones.
Antes de desaparecer do show biz, Jobriath gravou mais um disco, “Creatures of The Street”, lançado em 1974, não sem antes acertar uma torta na cara de Brandt, em uma festa promovida pela gravadora. Ousado e criativo, poderia ter sido bem mais do que um nome esquecido e muito pouco comentado. Sem perceber as engrenagens do pop, entretanto, ele e a sua viagem para a Lua foram para o espaço.
Morrissey
É um dos grandes fãs de Jobriath. Em uma apresentação recente, na Irlanda, vestia uma camiseta com uma foto do americano. Quando tentou contratá-lo para abrir seus shows, no começo dos anos 90, descobriu que ele já havia morrido, em 1983.
Eddie Kramer
Famoso por ter trabalhado com Jimi Hendrix e Led Zeppelin, Kramer produziu o álbum e tem boas recordações das gravações. “Ele queria orquestrações, mas não tinha a menor idéia de como fazê-las. Aprendeu lendo um livro - em uma semana, voltou ao estúdio com algumas de excelente qualidade”.
Glam Rock
Britânico por excelência, o glam rock nunca fez muito sucesso nos Estados Unidos, mesmo no caso do New York Dolls. Gente como Marc Bolan e outros andróginos foram bem mais escutados na Inglaterra, menos conservadora. Jobriath, gay assumido, não foge à regra.
Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009
a guerra
É de impressionar o que essa palestina faz na frente de um soldado israelense a partir de 53 segundos de vídeo. As imagens são de uma rede de TV coreana. Lembram muito aquele chinês na frente de um tanque na Paz Celestial, em Pequim, em 1989.
Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009
são paulo para sempre
Josué e Nasi (?), do Ira!, comentam a vitória do São Paulo sobre o Liverpool, que valeu o tri mundial.
Domingo, 4 de Janeiro de 2009
american freedom

Everyone agrees now that Washington needs to spend its way out of this recession, to ensure that it doesn't turn into a depression. Economists on both the left and right agree that a massive fiscal stimulus is needed and that for now, we shouldn't be worrying about deficits. But to run up these deficits -- which could total somewhere between $1 trillion and $1.5 trillion, or between 7 and 11 percent of gross domestic product -- America has to get someone to buy its debt. And the only country with the cash to do so is China.
spielberg, warhol e bianca jagger
Spielberg conversa com Andy Warhol e Bianca Jagger sobre a sua experiência com tecnologia - televisão e rádio, basicamente - na infância.
uma janela para a semana que começa

Toledo, Espanha.
Doménikos Theotokópoulos, o El Greco, pintor do século XVI, viveu na cidade de 1577 até a sua morte, em 1614. Toledo ainda possui o centro histórico conservado, no qual se encontra um museu com algumas de suas obras.
Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009
economia para leigos (1)
Setor de construção civil tá bombando em Bangladesh. Falta mão-de-obra e a produtividade é máxima. As perdas foram reduzidas: agora, só um tijolo por cabeça.
Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009
2009...
...e show do U2 no fim do ano.
Da mesma fonte saiu a confirmação que o Radiohead vinha para o Brasil, bem antes disso estar no UOL, G1 e congêneres. Por enquanto, os shows estão apenas previstos, não confirmados. Mas a confirmação pode chegar em breve.
Ou seja, é um bom primeiro de janeiro, de um grande ano.
Já estão previstos shows do U2 no Brasil em 2009. O palco seria bem no centro do gramado, como foi o show do Frank Sinatra no Maracanã. A previsão é de que as apresentações aconteçam em estádio grandes (Morumbi, Maracanã) e que sejam mais para o fim do ano.
Da mesma fonte saiu a confirmação que o Radiohead vinha para o Brasil, bem antes disso estar no UOL, G1 e congêneres. Por enquanto, os shows estão apenas previstos, não confirmados. Mas a confirmação pode chegar em breve.
Ou seja, é um bom primeiro de janeiro, de um grande ano.
Terça-feira, 30 de Dezembro de 2008
70s
Se você for ver apenas um documentário sobre cinema durante toda a sua vida, recomendo "The 1970s Films That Changed Everything". Tem no Youtube, em 16 partes. O cinema americano nunca foi tão criativo e ousado quanto naqueles anos.
Abaixo, uma de minhas partes preferidas:
Abaixo, uma de minhas partes preferidas:
Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008
Domingo, 28 de Dezembro de 2008
QassamCount
Imagina que você está no Twitter, falando sobre o nada as usual, e curtindo a vida adoidado (se é que é possível curtir a vida no Twitter). De repente, daquele cara que você acabou de adicionar, chega a mensagem "4 foguetes atirados contra Negev". Uma hora depois, "duas granadas de morteiro caem em Negev". Dez minutos depois, "foguete atinge o Conselho Regional de Eshkol"...
Direto da faixa de Gaza ou de Jerusalem há também quem esteja tirando fotos e postando no Flick.
Depois tem gente que acha que o Brasil é o pior lugar do mundo para se morar...
Direto da faixa de Gaza ou de Jerusalem há também quem esteja tirando fotos e postando no Flick.
Depois tem gente que acha que o Brasil é o pior lugar do mundo para se morar...
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